segunda-feira, 12 de maio de 2008

Profeta - Joel

Joel


Joel foi um dos profetas Menores filho de Fatuel: “Oráculo do Senhor dirigido a Joel, filho de Fatuel” (Jl 1, 1). De Joel, filho de Fatuel, nada se sabe para além do que pode deduzir-se da sua obra. O profeta exerceu o seu ministério em Jerusalém e foi um homem profundamente conhecedor do mundo rural, embora se suponha que não fosse de origem camponesa. De fato, a sua qualidade poética, o conhecimento profundo dos profetas anteriores e a maneira como trata a própria língua, situam-no num ambiente cultural muito mais elaborado.

O seu livro, a nossa única fonte de informações, não menciona nem a época, nem o domicílio, nem a profissão do profeta. Como a sua pregação tem por tema central: Judá e Jerusalém, ele deve ter sido judaíta; parece não ter pertencido à classe sacerdotal “Já não há oferta nem libação no templo do Senhor. Os sacerdotes, servos do Senhor, estão de luto... Revesti-vos de sacos, sacerdotes, e batei no peito! Lamentai-vos, ministros do altar! Vinde, passai a noite vestidos de saco, servos de meu Deus!” (Jl 1,9.13).

Deste profeta, o trecho mais conhecido é 3, 1-5. Esses versículos são citados no discurso que Pedro fez no dia de Pentecostes. Assim está disposto nos Atos dos Apóstolos:

Pedro então, pondo-se de pé em companhia dos Onze, com voz forte lhes disse: Homens da Judéia e vós todos que habitais em Jerusalém: seja-vos isto conhecido e prestai atenção às minhas palavras. Estes homens não estão embriagados, como vós pensais, visto não ser ainda a hora terceira do dia. Mas cumpre-se o que foi dito pelo profeta Joel: Acontecerá nos últimos dias - é Deus quem fala -, que derramarei do meu Espírito sobre todo ser vivo: profetizarão os vossos filhos e as vossas filhas. Os vossos jovens terão visões, e os vossos anciãos sonharão. Sobre os meus servos e sobre as minhas servas derramarei naqueles dias do meu Espírito e profetizarão. Farei aparecer prodígios em cima, no céu, e milagres embaixo, na terra: sangue fogo e vapor de fumaça. O sol se converterá em trevas e a lua em sangue, antes que venha o grande e glorioso dia do Senhor. E então todo o que invocar o nome do Senhor será salvo. (At 2, 14-21).

Por isso, ele também é chamado o profeta de Pentecostes.

O tema do livro é: Dia de Javé, que se aproxima:

“Publicai o jejum, convocai a assembléia, reuni os anciãos e toda a população no templo do Senhor, vosso Deus, e clamai ao Senhor: Ai, que dia! O dia do Senhor, com efeito, está próximo, e vem como um furacão desencadeado pelo Todo-poderoso” (Jl 1, 14-15).

Divisão

Os seus escritos estão divididos em duas partes: uma invasão de gafanhotos que assola Judá provoca uma liturgia de luto e súplica; Javé responde prometendo o fim da praga e a volta da abundância (1, 2-2, 27). E a descrição em estilo apocalíptico o julgamento das nações e a vitória definitiva de Iahweh e de Israel (3-4).


Historicidade

Desde a antiguidade datava-se o livro antes do cativeiro babilônico, porque entre os inimigos de Judá não são mencionados nem os assírios, nem os babilônicos, nem mesmo os arameus. Muitos autores colocaram-no nos anos da juventude do rei Joás (cerca de 830), porque no livro não é mencionado nenhum rei; outros sob Azarias (cerca de 760), porque no cânon Joel está entre Amós e Oséias, o que o apresentaria como contemporâneo deles, ou sob Ezequias, Manassés ou Josias. Com maior razão, muitos autores mais recentes colocam-no depois do cativeiro babilônico, por causa da situação religiosa – Israel como comunidade de justos é uma idéia tipicamente pós-exílica – e política – ausência do reino das dez tribos; a promessa de que Israel “não mais” estaria debaixo de estrangeiros:

O Senhor respondeu ao seu povo: Vou mandar-vos trigo, vinho e óleo, e deles sereis fartos, e não vos farei mais objeto de opróbrio diante dos pagãos. Afastarei de vós aquele que vem do norte, e lançá-lo-ei para uma terra árida e deserta, sua vanguarda para o mar oriental, e sua retaguarda para o mar ocidental. Exalar-se-á um mau cheiro dali, um cheiro de podridão (porque ele fez grandes coisas!) Não temas, terra, estremece de alegria e de júbilo, porque o Senhor fez grandes coisas. Não temais, animais dos campos, porque as pastagens do deserto reverdecerão, as árvores darão seu fruto, a figueira e a vinha produzirão abundantemente. Alegrai-vos, filhos de Sião, e rejubilai no Senhor, vosso Deus, porque ele vos dá as chuvas do outono no tempo oportuno, e faz cair chuvas copiosas sobre vós, as chuvas do outono e da primavera, como dantes. As eiras se encherão de trigo, os lagares transbordarão de vinho e de óleo novo. Restituir-vos-ei as colheitas devoradas pelo gafanhoto, pelo roedor, pelo devastador e pela lagarta, (esse) meu poderoso exército que mandei contra vós. Comereis abundantemente e vos fartareis, e louvareis o nome do Senhor, vosso Deus, que fez maravilhas em vosso favor; e jamais meu povo será confundido. Sabereis então que estou no meio de Israel, que sou o Senhor, vosso Deus, e que não há outro. E jamais meu povo será confundido. (Jl 2, 19s).


Alguns autores colocam o livro durante o cativeiro babilônico ou mesmo por volta de 300, sob Ptolomeu Soter (M. Treves).


A Exegese

A exegese antiga via, geralmente, nos gafanhotos, uma indicação alegórica de povos inimigos que deviam invadir ou já haviam invadido o país. Para diversos autores modernos trata-se de uma figura apocalíptica, simbolizando os horrores dos últimos tempos (Ap 9). A “communis opinio”, porém vê os gafanhotos como uma praga real, contemporâneo, que se tornou para Joel um ensejo de pregar a penitência e pintar o Dia de Javé. A maior parte dos comentadores identificam a praga como o primeiro sermão com a do segundo, outros consideram a segunda como uma fase mais adiantada em comparação com a primeira: o primeiro descreveria então a presença da praga nos campos; o segundo como a praga se aproxima de Jerusalém. Há também autores que consideram os gafanhotos do primeiro sermão reais os do segundo como uma imagem dos exércitos que, em breve, virão.

1, 2-12 – Joel convoca todos para contemplar o triste espetáculo da natureza destruída por uma praga de gafanhotos; todos foram atingidos e nada restou, nem mesmo o necessário para a liturgia cotidiana.
1, 13-20 – Apelo à penitência e à oração; O luto, o jejum e a súplica formam o grande ato litúrgico que leva a comover Iaweh, o Senhor, a fim de que ele acalme a sua ira e abençoe novamente o povo.
2, 1-11 – O profeta se serve de uma figura, a invasão de gafanhotos, para descrever o Dia do Senhor, isto é, do julgamento em que Deus manifestará a verdade de cada um.
2, 12-17 – A calamidade faz com que o povo se volte para Deus. Este, porém, não quer um rito puramente exterior, mas um profundo movimento coletivo de conversão, pois ele conhece o homem por dentro, e não somente pela aparência.
2, 18-27 – A conversão sincera é abençoada por Deus com novos tempos de abundância. O povo, agora, é convidado a agradecer e louvar a Deus. Refazendo a dignidade do povo, o Senhor refaz também a sua honra.
3, 1-5 – Joel salienta que Deus dará o seu espírito a todos, sem distinção de idade, sexo, condição social. Pelo Espírito, todos reconhecerão o projeto de Deus e viverão de acordo com o projeto divino.
4, 1-8 – A restauração de Israel, supõe o castigo das outras nações que haviam oprimido. O lugar é simbólico, pois Josafá significa: Deus Julga.
4, 9-17 – O julgamento é apresentado como guerra santa, um combate entre Deus e as nações que se opõe ao projeto dele.
4, 18-21 – Com o julgamento começa para o povo de Deus uma era paradisíaca. Doravante o povo terá vida em plenitude, por que o Senhor habitará para sempre no meio dele.


A Teologia

A teologia que perpassa os escritos de Joel nos mostra a condenação dos pecados, tão característica dos profetas antigos, falta em Joel. Ele conhece apenas uma penitencia ritual frente a Deus que é “bom e compassivo, longânime e indulgente” (2, 13). O “Dia de Javé” já não é mais uma peneiração moral, mas traz desagravo para o povo de Deus, vergonha aos pagãos que causaram o dano. Os pagãos não terão parte nas bênçãos futuras; a efusão do Espírito limita-se a Israel. É o particularismo do pós-cativeiro. O valor do livro consiste primordialmente nisto: ele é mais antigo do que o apocalipse homogêneo que possuímos. Tornou-se muito conhecido pela predição de que no Dia de Javé a comunidade de Jerusalém seria transformada pelo Espírito de Deus numa comunidade de extáticos:

Depois disso, acontecerá que derramarei o meu Espírito sobre todo ser vivo: vossos filhos e vossas filhas profetizarão; vossos anciãos terão sonhos, e vossos jovens terão visões. Naqueles dias, derramarei também o meu Espírito sobre os escravos e as escravas. Farei aparecer prodígios no céu e na terra, sangue, fogo e turbilhões de fumo. O sol converter-se-á em trevas e a lua, em sangue, ao se aproximar o grandioso e temível dia do Senhor. Mas todo o que invocar o nome do Senhor será poupado, porque, sobre o monte Sião e em Jerusalém, haverá um resto, como o Senhor disse, e entre os sobreviventes estarão os que o Senhor tiver chamado. (Jl 3, 1-5)

A sua exortação à penitência foi adotada pela liturgia cristã da Quarta-Feira de Cinzas e da Quaresma, a qual conclama os fiéis a, neste tempo forte de encontro com Deus no deserto, converter-se e oferecer a Deus um sacrifício agradável de oração, caridade e penitência:

Por isso, agora ainda - oráculo do Senhor -, voltai a mim de todo o vosso coração, com jejuns, lágrimas e gemidos de luto. Rasgai vossos corações e não vossas vestes; voltai ao Senhor vosso Deus, porque ele é bom e compassivo, longânime e indulgente, pronto a arrepender-se do castigo que inflige. Quem sabe se ele mudará de parecer e voltará atrás, deixando após si uma bênção, ofertas e libações para o Senhor, vosso Deus? Chorem os sacerdotes, servos do Senhor, entre o pórtico e o altar, e digam: Tende piedade de vosso povo, Senhor, não entregueis à ignomínia vossa herança, para que não se torne ela o escárnio dos pagãos! Por que diriam eles: onde está o seu Deus? (Jl 2, 12-14.17)

A primeira parte do livro de Joel é um ensinamento sobre o comportamento e a pedagogía de Deus na educação do seu povo ao longo da história. Os grandes desastres julgavam ser o castigo de Deus por causa dos pecados do povo e eram chamados à conversão.


Conclusão

Somente reconhecendo o Senhor como fonte e cume de toda a história e vida de um povo, bem como nossa, podemos fazer a experiência de sermos agraciados com os dons da bondade de Deus, bem como de sua proteção em tempos de adversidade.

O profeta Joel, tem o papel de fazer essa ponte entre o povo e Deus, Deus e povo. Anuncia, denuncia, proclama, testemunha, orienta e faz o povo reconhecer que o Dia do Senhor está próximo, e a mudança de vida é a base para se fazer uma expriência verdadeira de Deus.

Quando o povo se volta para Deus de coração sincero então ele põe em cada coração seu Espírito, impulsionando e dando força para vencer toda e qualquer tribulação.

Sendo assim, podemos concluir que em Deus, segundo Joel, está contida: as bênçãos na adversidade, a vitória nos conflitos, a justiça no juízo e julgamento.

Tudo isso para que o povo saiba então que estou no meio de Israel, que sou o Senhor, vosso Deus, e que não há outro. E jamais meu povo será confundido.(Jl 2, 27).
Bibliografia:

FREITAS, Jacir de Farias – Profetas e Profetizas na Bíblia, Teologias Bíblicas 5, Paulinas, São Paulo-SP, 2006.
BÍBLIA DE JERUSALÉM. Cod.José Bortoline. Paulus, São Paulo. 2002.
TEB. Cod. Fidel Gárcia Rodrigues. Loyola. 2002.
Os Profetas e os livros Proféticos. Paulinas, São Paulo. 1992.
SELLIN, E. FOHRER, G. Abdias. In: Introdução ao Antigo Testamento. Paulus, São Paulo. 2007.

2 comentários:

assembleiabelem disse...

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S.J.Amorim disse...

A conclusão foi perfeita.O estudo e as pesquisas teológicas não conferem bem,um pouco contraditórias. Mas o importante é que no geral é um bom material de pesquisa.

Abraço
S.J.Amorim